João Zuccaratto
“Abraço na Pedra Azul”

Nossa região melhora a cada dia. Agora,
temos uma paróquia. E precisamos que todos mantenham o espírito de lutar pelas
nossas boas causas, deixando de lado velhos rancores. Um bom exemplo dão as
amigas Aline de Pinho Uliana, à esquerda, e Ceciana Ferreira França, que dão um
afetuoso abraço na Pedra Azul. Aline foi retratada em nossa edição 33, de maio
2006. Ceciana tem 23 anos, faz jornalismo na Ufes e mora em Vila Velha.
Bolinho
de Bacalhau
Quem estava com saudades do bolinho
de bacalhau da dona Maria de Oliveira Lemos não tem mais motivos para reclamar.
Ela reabriu a Lanchonete Lorena, fechada há dois anos, no Centro da vila de
Pedra Azul. E voltou com o cardápio completo, oferecendo também a lingüiça
portuguesa e o famoso suco de morango, com água ou leite. Aliás, a lingüiça é
uma tradição que vem do início dos anos 60. Trata-se de um embutido de carne de
porco, pré-cosida, imersa em vinho e depois defumada em estufa. Para tocar a
lanchonete — cujo nome é uma homenagem a uma das netas — dona Maria conta com o
apoio da filha Fátima de Oliveira Lemos.
Ricieri Bravim - Um dos pioneiros de mais valor para Pedra Azul
Os primeiros colonizadores do Distrito de Aracê — ou da Região de Pedreiras, como se referiam a ela — foram alemães. Deles, pouco se sabe. Inclusive, porque foram embora, deixando espaço para os italianos. Estes vieram e se fixaram na terra. Erigiram as bases do desenvolvimento que desfrutamos hoje. E um que merece ser lembrado é Riciere Bravim. Ele também era conhecido como “Aristides” devido a um erro de interpretação de um tabelião ao emitir uma certidão. Faltava um dia para completar 90 anos quando morreu. Nasceu em Cedro, no Distrito de Matilde, Município de Alfredo Chaves, em 17 de outubro de 1909. Viveu praticamente todo o século XX, vindo a falecer em 16 de outubro de 1999. Foi um grande cidadão.
Riciere chegou em Pedra Azul com dois anos de idade. Era o primogênito do casal Amábile Peterle e Pedro Bravim, que gerou 10 filhos. Além dele, Maria, Modesta, Feliz, Rosa, os gêmeos Antônio e Olímpio, José — mais conhecido por “Juca” —, Gracinda e Ana. Somente Gracinda mudou para longe. Vive em Ipanema, no Rio de Janeiro. Chegou a freqüentar aulas na pequena Escola José Poli, criada por voluntários. Mal aprendeu a assinar o nome. Mas isso não o impediu de se tornar uma pessoa realizadora. Cresceu na roça, viveu dela, formou e manteve uma família com o que produzia na agricultura. Enquanto era solteiro, teve também uma tropa de burros. Fazia o percurso entre as fazendas e a estação de Araguaia.
Estava para completar 25 anos quando se casou com Elvira Módulo, em 30 de janeiro de 1935. Parou com as viagens e foi trabalhar como colono no sítio do Marco Módulo. Produzia muito. A safra de milho enchia o paiol. Durava um ano inteiro, sem estragar. Uma vez, só com feijão, conseguiu 131 caixas Jacaré — mais ou menos 70 quilos cada uma. Bateu em muito a produtividade mínima da época: um saco e meio por alqueire. Apesar de ter problemas para escoar a produção e, mesmo sendo colono, foi formando seu pé de meia. E começou a comprar uma terrinha aqui e outra ali. Durante muito tempo, foi o único em toda a região com propriedade devidamente registrada. Eram 14 alqueires em Alto Jucu, sítio ainda em poder da família.
Essa condição de propriedade legalizada o levou a ajudar muita gente. Como podia garantir o pagamento de empréstimos, era sempre sondado para avalizar papagaios. Muitas vezes honrou compromissos de não pagadores. Por tudo isso, Riciere era muito respeitado pelos gerentes da agência do Banco Real, em Castelo. Não fumava, não bebia, católico fervoroso, estava sempre presente nas missas. O que era incomum, teve apenas dois filhos: Lourival e Argeo. Como o avô e o pai, estes também trabalharam no campo desde crianças. Apesar de cultivar e meia, chegou a ter nove colonos trabalhando com ele. Muito bom de bola, era presença constante no gol do Vasquinho, time criado pelo Artur Bassani. Também foi um bom técnico neste esporte.
Apesar da pouca instrução, Riciere Bravim se mantinha ligado nas inovações que aos poucos foram sendo incorporadas ao dia-a-dia das pessoas durante o século passado. Trouxe para Pedra Azul e primeiro gerador de eletricidade. Em 1950, pagou a compra com 20 sacos de milho, em Afonso Cláudio. Com ele, iluminava toda a casa em que morava a ainda cedia luz para o seu vizinho Laurindo Módolo. Como tinha energia elétrica, naquele mesmo ano, também trouxe o primeiro rádio para a região. A novidade fez sucesso entre todos os moradores que se reuniam na sala de visitas para ouvir a Rádio Nacional até por volta da meia noite. Programas como “Um milhão de melodias", “César Alencar” e o humorístico “Balança mas não cai”.
Um dos
costumes que passou para o filho Lourival era o de fazer peregrinações de
caráter religioso. Juntava a família e os amigos, partia para Araguaia, pegava o
noturno e viajava para Vitória. Lá, tomavam o bonde que passava em Paul, indo
até a Prainha. A pé, galgavam a antiga ladeira calçada com pedras irregulares,
que dava acesso ao alto do Convento da Penha, hoje fechada para o público. Isso
aconteceu porque, com o passar dos séculos, o passar dos romeiros foi lixando o
calçamento e agora, muito liso, é causa de quedas constantes. Depois de cumprir
as obrigações religiosas, também de bonde, iam para a Vila Rubim, então o
“Centro” de Vitória, fazer compras. Mas nada de supérfluos, só o essencial, como
roupas, chapéus etc.



| Elvira Módolo e Riciere Bravim em 1940 |
Ricieri Bravim, ao centro, provavelmente |
Amábile Peterle Bravim, com o neto Edílio Peterle, por volta de 1940 |
|
|
![]() |
![]() |
|
Olindino Módulo, irmão de Ricieri Módulo, e Rosa Bravim |
Casa em que Riciere Bravim morou quando veio para Pedreiras. Construída pelos primeiros imigrantes alemães, ficava situada onde hoje está a Pousada Pedra Azul
|
Casa de Francisco Bellon, residência característica dos colonos italianos no Espírito Santo
|
![]() |
![]() |
![]() |
|
Time de futebol da Fazenda Califórnia, destacando-se Alfarides Módolo, frei Alaor, Lourival Bravim e José Dias |
Elvira Módulo, mãe, e Riciere Bravim, pai, em Aparecida do Norte, no ano de 1970 |
Coroação em Aracê, em 1940. Lourival e Argeo estão perdidos ali no meio do grupo. |
|
|
|
|
|
Com muito pouco estudo, Riciere Bravim aprendeu apenas a assinar o nome
|
||
|
Elvira Módulo e Ricieri Bravim na primeira comunhão dos netos Márcio Bravim, filho de Lourival Bravim, e Leia Bravim, filha de Argeo Bravim |
Kátia Peterle: beleza, simpatia e competência
Menina simples de Venda Nova do Imigrante alcança sucesso nacional
“De Venda Nova do Imigrante para o Brasil e, breve, para o mundo.” Este deveria ser o slogan para marcar a carreira de sucesso de Kátia Peterle, cuja beleza e simpatia são o carro chefe do programa de turismo “Destino Gol”, que tem 30 minutos de duração e é exibido em diversos vôos da companhia aérea de mesmo nome e pela Rede TV! todas as noites de quarta para quinta-feira, às duas da manhã.
O programa era divulgado apenas dentro dos aviões da companhia, mostrando os destinos turísticos atendidos pela Gol. Ele não tinha uma âncora fixa, sendo que cada cidade era apresentada por uma comissária diferente ou uma pessoa do lugar. Quando vieram gravar sobre Vitória, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo convidou Kátia Peterle para ficar à frente das imagens.
Seu trabalho foi tão elogiado que, quando a Gol fechou contrato com a Rede TV! em rede nacional, e precisou de uma apresentadora fixa, ela foi a escolhida dentre todas as que fizeram as inserções apenas para as aeronaves. Como Kátia Peterle é funcionária da Secretaria de Turismo de Venda Nova do Imigrante, colocou como condicionante que só poderia gravar nos finais de semana. E a equipe aceitou.
Ela vem atuando desde abril e já fez programas sobre Fortaleza, Florianópolis, Porto Alegre, Serra Gaúcha, Rio de Janeiro e dois em São Paulo. Já está agendado o da Bahia. Com isso, sua vida está bastante corrida, uma vez que continua dando expediente na Secretaria. O que facilitou um pouco é que ela já havia terminado a faculdade e o curso de pós-graduação em Gestão Turística.
As gravações começam às 7 da manhã e só terminam por volta da uma da madrugada. Kátia Peterle acompanha matérias sobre história, culinária, cultura etc. Em sua opinião, as melhores são aquelas sobre esportes de aventura, como rapel, surf e wakebord. Estas duas últimas, fez mesmo sem saber nadar. Outra que gostou muito foi a que a permitiu pilotar um kart pela primeira vez.
Kátia Peterle reafirma sua gratidão por aqueles que lhe deram a oportunidade de trabalhar pelo turismo do Município onde nasceu e vive até hoje. Ela começou em maio de 2001 e nestes quatro anos já acumulou muita experiência. Esteve presente em todos os tipos de eventos da atividade, no Estado e no Brasil, como o congresso da ABAV, que é um dos maiores acontecimentos do setor.
Ouvindo suas palavras, temos a prova desta maturidade: “Dou o melhor de mim para a divulgação do destino e fazer com que o turista tenha vontade de conhecer ou voltar ao Espírito Santo, em especial à minha cidade e região. Tive a oportunidade de participar do processo de criação da Rota do Mar e das Montanhas, que alavancou a oferta turística capixaba nos cenários nacional e internacional.”
Desde a infância Kátia Peterle namora o sucesso. Menina comum, sem nem saber o que era vaidade, que brincava com bonecas e de pique na rua, com os amiguinhos, depois de um desfile na escola, aos seis anos, começou a prestar atenção nela mesma, diz. “Não que me achasse bonita, mas senti que tinha jeito para alguma coisa artística. Ficava fazendo poses e interpretações na frente do espelho.”
Apesar de muito tímida, gostava de participar de tudo na escola: grupos de dança, cursos de artesanato, montagens teatrais. Era boa aluna também! Aos 15 anos, participou do primeiro concurso de beleza: “Garota Município de Venda Nova 96”. Isto a levou a fazer cursos de modelo, manequim e interpretação em Vitória, para se preparar para representar seu torrão natal.
Daí em diante, alcançou uma coleção de títulos de fazer inveja a qualquer um, cuja lista reproduzimos a seguir, sempre representando Venda Nova do Imigrante, o Espírito Santo ou o Brasil. E demonstrando muita segurança e nenhuma afetação, conclui: “Estes eventos me possibilitaram conhecer coisas e lugares, gentes e comportamentos que me ajudaram muito como pessoa.
Títulos de beleza conquistados por Kátia Peterle
Rainha Nacional do Rodeio Universitário 2004
Rainha do Rodeio 2004
Rainha da Gran Expo ES 2003
Rainha da Polenta 2002
Melhor Traje Típico Brasil 2001
Princesa no Reina Mundial 2000
Miss Elegância Brasiltur 2000
Miss Fotogenia Mundial 2000
Miss Espírito Santo 1999
Princesa Miss Itália nel Mondo 1998
Miss Comércio Espírito Santo 1998
Musa Simpatia Brasil 1998
Garota Country 1996
Garota Turismo Espírito Santo 1996
Garota Município de Venda Nova do Imigrante 1996.

Kátia e a beleza que bem representa as
descendentes de italianos do Município de Venda Nova do Imigrante
A âncora do
programa de turismo “Destinos Gol, exibido nacionalmente pela Rede TV!
Sociedade dos Amigos de Pedreiras — SAP
Entidade ressurge das cinzas e pode modernizar seu nome
Talvez você saiba, talvez não, mas, lá pelos idos
de 1979, algumas pessoas que haviam escolhido Pedreiras — hoje, Pedra Azul —
como lugar para viver e sediar suas atividades comerciais ou profissionais, já
preocupados com futuro da região, constituíram uma associação para lutar por
benefícios que o local não possuía. Esta entidade é a Sociedade dos Amigos de
Pedreiras, mais conhecida pela sigla SAP.
Os mais antigos poderão contar aos mais novos os detalhes das
lutas que a organização empreendeu em seus quase 30 anos de existência, bem como
as dificuldades que teve que superar e os grandes resultados obtidos. Com a
morte de alguns dos seus membros — Carlos Calmon, Domingos Girardi, Delfim
Lemos, Júlio Pinho —, a SAP entrou num período pouco produtivo, que agora a nova
diretoria da associação pretende reverter.
O corpo dirigente tem à frente o senhor Álvaro Manuel Aroso,
empresário pioneiro local em diversas atividades e que atualmente oroar de êxito
muitas iniciativas por que tanto lutou, tanto pessoais e familiares quanto em
prol vê cda comunidade local. Ao lado de diversos outros entusiastas, a partir
dos estatutos, deu início a um amplo processo de renovação do quadro social
Eles estão consultando os antigos participantes para saber se
desejam continuar pertencendo à SAP e também buscando novos associados. Uma das
medidas que tomaram foi instituir a pequena anuidade de R$ 30,00 para fazer
frente às despesas que porventura aparecerem e definiram um calendário para
manter um ritmo de reuniões toda segunda terça-feira de cada mês.
A primeira grande preocupação da nova fase da SAP é
interromper o processo de favelização que se verifica em diversos pontos da vila
de Pedra Azul e em seus arredores. Isto tem sido causado pela proliferação de
construções sem projeto e que, erguidas, se mantém anos a fio exibindo a
alvenaria sem o acabamento externo, o que dá um aspecto deplorável à aglomeração
urbana.
Outra atitude manifestada pelo presidente, e a ser
referendada pelos membros — Antônio Monteiro, Cirilo Girardi, Gabriel Uliana,
Inaiá Fontes, José Augusto Dias, Lourival Bravim, Maria Helena Fontes e Natal
Carvalho, dentre outros —, é a mudança da denominação e da sigla, ficando
coerente com talvez a mais importante alteração que a região sofreu em virtude
do sucesso do desenvolvimento do turismo. Em vez do nome atual, trocar para
Sociedade dos Amigos de Pedra Azul. A nova sigla então será Sapa.
O atual presidente da SAP,
Álvaro Manoel Aroso, e seus
diretores querem acabar com
a favelização que se processa
em Pedra Azul
Portugal — Costa do Estoril
Um lugar de mil sensações: natureza, história, cultura, jogo etc.
A Costa do Estoril é uma região de descoberta obrigatória. Romântica, cosmopolita, plena de animação e com um caráter único que traduz da melhor forma a apresentação da região de Lisboa ao mar. Considerada por muitos como a Riviera Portuguesa, há um, grande diversidade Na sua oferta de belezas, atrativos e experiências num espaço reduzido mas excepcional em termos de natureza, cultura e patrimônio histórico.
Deste último se ressalta a Vila de Cascais e o seu Cassino Estoril, o maior da Europa, pólo de atividades as mais variadas, desde diversas modalidades de jogo até grandes espetáculos diários. O acervo natural ocupa igualmente lugar de destaque e, em complemento ao mar, os espaços verdes, como o Parque Sintra-Cascais, onde são preservadas diversas espécies vegetais e animais, contribuem para o equilíbrio ecológico da região.
O Estoril, devido à sua oferta de hotelaria diversificada e de qualidade, apresenta uma das melhores infra-estruturas para o chamado turismo de negócios. São inúmeros os eventos profissionais para lá canalizados, que vão desde simples reuniões a amplos seminários, simpósios e conferências de nível internacional. Para isto, o local dispõe do moderno Centro de Congressos aliado a uma estrutura de apoio imbatível em comparação com semelhantes.

O Cassino Estoril oferece diversas modalidades de jogos

O cassino tem uma das mais importantes galerias de arte de Portugal

Há um enorme salão para apresentação diária de shows com produção caríssima

O cassino é palco também para grandes artistas brasileiros, como Roberto Carlos e Gal Costa
O prazer de se conhecer Lisboa
Cidade de altos e baixos, antigo e moderno, ideal para se passear

A luz, o ambiente e o clima que emanam de Lisboa proporcionam passeios maravilhosos ao longo de várias zonas da cidade. É uma beleza que se estende para lá dos monumentos, que se vive na rua, que se abraça com todos os sentidos. E que se expressa em suas diversas regiões, das mais antigas às mais contemporâneas.
Situados na sua maior parte no Centro da cidade, os bairros históricos são destino obrigatório para quem se desloque à capital de Portugal. Pela cultura, pela arquitetura, pelas pessoas ou simplesmente para passear de forma descontraída, é imperativo descobri-los. Afinal, eles fazem parte estrutural da identidade lisboeta.
O Bairro Alto é um dos mais atraentes de Lisboa. Típico e popular, com lojas de roupas e de design, além de bares, bons restaurantes, casas de chá, livrarias e ateliês dos mais expressivos artistas plásticos portugueses da atualidade. Um espaço apaixonante, cheio de atrações, combinando tradição e antiguidade com arrojo e sofisticação.
Descendo para o Chiado, vai-se de encontro aos cafés emblemáticos, como o “A Brasileira”. Por ali estão também as escolas de arte e os teatros, além da história viva. Foi bastante revitalizado depois de quase totalmente destruído por um grande incêndio na década de 80. Na sua fronteira com o Bairro Alto é que se diz que nasceu o fado.

A área do Carmo, vizinha ao Chiado, tem alguns pontos fascinantes da trajetória de Lisboa. Os mais significativos talvez sejam o convento e a igreja que deram nome ao local. Mas há também o Museu Arqueológico, que expõe de forma permanente seu espólio de peças pré-históricas, romanas, medievais, manuelinas, renascentistas e barrocas.
O Largo do Carmo é também um local emblemático da história portuguesa recente, tendo sido palco da denominada “Revolução dos Cravos”, que deu fim ao meio século da ditadura imposta ao país por Eliseu Salazar. E a ligação entre o Carmo e a Baixa é feita por outro monumento fundamental da cidade, o irresistível Elevador de Santa Justa.

Antes de embarcar a partir do seu topo, é fundamental apreciar a belíssima vista sobre a Baixa Pombalina. E depois descer por este equipamento centenário, concebido por um discípulo de Gustave Eiffel e que, por isto, tem seu estilo arquitetônico peculiar. Ao saltar, estamos na Baixa, local que, por tradição, é o Centro comercial de Lisboa.
Na Baixa, há uma forte concentração de lojas, sendo um local único para se passear. O acolhimento personalizado dos comerciantes torna as compras muito mais agradáveis. Lá está a Rua Augusta, artéria principal da Baixa Pombalina, que une o Terreiro do Paço, símbolo do poder, à belíssima Praça do Rossio e sua estátua de Dom Pedro V.

Além do Rossio, é
importante descobrir a Avenida da Liberdade e fazer parte daquela via que já foi
o “Passeio Público” de Lisboa. Era ali que, no auge do século XIX, as elites se
juntavam para caminhar e se cumprimentar. Ela agora está tomada por lojas de
grandes marcas, e tornou-se um dos cartões postais mais cosmopolitas da cidade.

O autor esteve em Portugal para participar de um encontro entre jornalistas de turismo brasileiros e portugueses, viajando a convite da TAP e da rede Pestana Hotels & Resorts, ambas com fortes investimentos no Brasil.
Empresa completa 35 anos em trajetória de sucesso
Quem chega hoje a Pedra Azul, tanto vindo do sentido de Vitória quanto do de Venda Nova do Imigrante, ao tomar o acesso em frente ao Posto dos Morangos, se surpreende com uma nova construção, de fachada imponente, trabalhada em granito bruto, uma das grandes riquezas da Região de Montanhas do Espírito Santo. Aquela obra é a consolidação da história de 35 anos de sucesso da Transverde, uma empresa que iniciou como uma transportadora informal e foi evoluindo para quase se tornar loja de departamentos.
Tudo começou nos primeiros anos da década de 70, quando o imigrante português Álvaro Aroso conseguiu comprar um pequeno caminhão Chevrolet C60. O veículo, a princípio, era utilizado para entregar sua produção agrícola à Caipa, a cooperativa que reunia os agricultores de Pedra Azul. O “Álvaro Português”, como era conhecido, foi o último produtor a fazer entregas para a Caipa. Com o fim desta entidade, as viagens se estenderam até a Vila Rubim, em Vitória, e depois até a Ceasa, em Cariacica. E ele incorporou a carga de terceiros a cada um dos fretes.
Motorista
O primeiro motorista da Transverde foi o Nélson Passos, que acumulava esta obrigação com a função de subdelegado. Depois, veio o Olendino Polleto (Dino) que, além de dirigir o veículo, era vendedor. Basicamente, as cargas eram compostas de batata, tomate, repolho e morango. A dificuldade de se conseguir transporte, naquela época, em Pedra Azul, foi impulsionando o negócio. Quem tinha mais estrutura, levava as cargas dos menos estruturados. E, em 1974, veio uma Mercedes 1.111, usada, adquirida do Genésio Módulo.
Quatro anos mais tarde, o “Álvaro Português” deu outro grande passo em busca da produtividade. Montou uma pequena frota de quatro jipes Toyotas, que circulavam entre as propriedades, recolhendo as pequenas quantidades de produtos e trazendo para Pedra Azul. Ali, os volumes eram consolidados nas carrocerias dos caminhões e encaminhados para negociação na Grande Vitória. Por esta época, incorporou o primeiro truck, uma Mercedes 2.013, chegando a ter oito carros, entre eles uma carreta MB 1.519 comprada nova na Vitória Diesel. Este sistema teve seu auge entre 1978 e 1985 e depois só decaiu.
Isto aconteceu porque os produtores do entorno foram crescendo, comprando seus próprios veículos e levando a produção diretamente. Mas, se o movimento de carga foi se reduzido, os negócios da Transverde foram se modificando. Para aproveitar o retorno dos veículos, começou a trazer e a oferecer produtos que os agricultores precisavam: pregos, caixas, sacaria etc. Os funcionários do escritório que foi montado então é que faziam e controlavam as vendas.
Defensivos
Por esta época, teve como colaboradora sua primeira secretária: Fátima Fernandes. Depois, vieram Elias Ronchi, Mirinho Módulo, Izabel Canal e muitos outros. Quando entrou o Mirinho, este começou a vender defensivos agrícolas. A Transverde, apesar do nome que só lembra transportes, foi estruturada definitivamente como loja. E se tornou um verdadeiro pronto-socorro para os agricultores e os donos de sítios. Quem estava construindo casa naquela época, comprava o básico ali. Ela não trabalhava como acabamento.
Outra coisa que derrubou muito o transporte até a Grande Vitória foi a cultura do alho. Como começou a dar muito dinheiro, todo mundo foi para o alho, abandonando as outras culturas. O alho era comercializado com compradores de fora, que vinham do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e de outras regiões. Eles chegavam aos montes, em caminhonetes, e se juntavam no Posto dos Morangos. Depois que faziam as negociações, mandavam seus próprios caminhões buscarem o produto nas propriedades e partiam para seus mercados.
Segundo as lembranças do senhor Álvaro Aroso, o alho foi uma coisa que, em determinado momento, prejudicou seus negócios, principalmente de transportes. “Todos foram para o alho e esqueceram os outros produtos. Nós sentimos um pouquinho. E foi mais um motivo para ampliar a loja. Mas, por outro lado, eu fiquei sozinho no morango. Em determinado momento, era eu que ditava o preço do morango. Então, afirmo que o alho me prejudicou no transporte, mas beneficiou muito mesmo no morango” — diz.
Comércio
Bom, o tempo passou e, hoje, a Transverde só cuida mesmo é de comércio. O transporte que faz é só para ela mesma. São as entregas das compras dos clientes: adubos, vergalhões etc. E o sucesso desta trajetória da empresa traz à luz a forma avançada como ela foi administrada. O senhor Álvaro Aroso, que nunca estudou qualquer técnica de administração, a não ser num bom curso de Contabilidade que fez junto com o segundo grau, lá em Portugal, explica:
— O comum era o dono anotar as vendas na caderneta, ou até mesmo não anotar. Fazia tudo de cabeça. E o dinheiro sempre passava pelas mãos deles. O dinheiro nunca passou pelas minhas mãos. Desde o começo, adotei o sistema do de notas com três vias. Uma do cliente, outra do vendedor e terceira da loja. Esta última me permitia fazer o controle de tudo, independentemente de quem fosse meu funcionário. Aliás, como eles é que apareciam, quando iam embora, muita gente apostava que eu estava quebrando, falindo etc.
Teve um, Olendino Poletto, o Dino, que chegou a ter 20% da sociedade, sem investir qualquer capital, só o próprio trabalho. Ao sair, levou duas Toyotas e um caminhão. E se deu bem no ramo que escolheu. Uma coisa de que o senhor Álvaro Aroso se orgulha é de ter dado emprego ao Edimardo Teixeira, o Nini. Ele, que havia sido o primeiro motorista de táxi de Pedra Azul, ficara impossibilitado de trabalhar porque a diabetes o cegou. Ficou responsável pelo atendimento telefônico da Transverde, onde se destacou devido à excelente memória auditiva que desenvolveu.
Mutante
As instalações da Transverde foram sendo ampliadas para o lado. A cada segmento que abraçava, uma nova área era agregada. O edifício que o senhor Álvaro Aroso põe agora à disposição dos consumidores foi projetado como loja, para maior conforto dos clientes. Há melhores espaços para a exposição dos produtos, depósito separado para os estoques, tornando-se quase que na primeira loja de departamentos do Distrito de Aracê, vendendo alguns estilos de móveis, objetos de decoração, lustres e eletrodomésticos. Mas não abandonou suas origens e melhorou também o material de construção e os produtos agrícolas, estes sendo acompanhados pelo engenheiro agrônomo Bruno Silva de Andrade.
Esta característica mutante que a
Transverde tem é única nas empresas que hoje formam o seu grupo. A Fazenda
Arosolândia nunca sofreu alterações bruscas nas suas atividades. O mesmo não
ocorreu com o Posto dos Morangos e muito menos com a Estalagem Petra e o Aroso
Paço Hotel. Apoiado pela esposa, dona Amélia, pelo filho Álvaro Gustavo e pela
filha Áurea, que participam do dia-a-dia dos negócios, e pela outra filha Ândréa,
que mora em Vila Velha, o senhor Álvaro Aroso, aos 66 anos, segue deixando para
todos um exemplo de sucesso.

|
A comunidade de Pedra Azul conta agora com muito mais conforto |
Mercedes Benz 1.111, comprado na década de 70 com os |
|
para fazer suas compras na nova loja da Transverde |
pequenos filhos do senhor Álvaro Aroso tomando posse do |
|
veículo: ao volante, Gustavo; no estribo, Ândrea; e, na |
|
|
carroceria, Áurea |
Pluviômetro de Leitura Direta: medir chuvas é muito simples e bem barato
O administrador de propriedade rural, hoje em dia, pode se valer de tecnologias, recursos e equipamentos sofisticados para conseguir bons resultados. Mas ainda há espaço para diversos tipos de soluções simples, acessíveis a qualquer bolso e cujo domínio está ao alcance de todos, mesmo aqueles sem uma preparação técnica muito aprofundada.
Somando conhecimentos sobre o cultivo das lavouras, aprimorando o uso de corretivos, dosando corretamente os fertilizantes e controlando os momentos corretos para semeadura e colheita, além de seguir as instruções da assistência técnica, ele consegue obter melhores rendimentos financeiros com redução dos custos por unidade produzida.
Contribui muito conhecer o regime de águas do espaço onde está localizada a propriedade. Afinal, mesmo quem não é agricultor sabe da importância da água na medida certa para o sucesso de uma safra. É desconsolador ver, na colheita, que esta poderia ter sido melhor se o plantio tivesse sido feito um pouco antes ou depois, em função das chuvas.
Mais do que ninguém, o ruralista experiente sabe a época das chuvas em sua região. É até capaz de dizer com antecedência se vai desabar um temporal ou se tudo não passará de um chuvisco. Mas o que ele não sabe é a quantidade de água caída em determinado dia ou período. E isto é o que realmente importa conhecer para planejar com muito mais segurança.
Hoje, esta informação pode ser comprada de institutos especializados em prever o comportamento do tempo, apesar de toda a incerteza que ainda envolve o processo. Entretanto, com disciplina, organização e paciência, o agricultor pode evitar mais este gasto. Basta instalar na propriedade um dispositivo barato, chamado Pluviômetro de Leitura Direta.
Pluviômetro é um termo formado por duas palavras. A primeira, de origem latina, “pluvia”, significa chuva. A segunda, de origem grega, metro, instrumento para medir. Então, pluviômetro significa “medidor de chuva”. Com ele, o agricultor sabe até que altura ficaria a água em cima da terra se esta fosse um tanque e pudesse conservar todo o líquido caído do céu.
Há pluviômetros de diversos tipos, inclusive equipamentos sofisticados, eletrônicos. O que estamos descrevendo aqui é extremamente simples. Trata-se de uma espécie de garrafa de vidro, só que quadrada, com uma graduação impressa em uma das laterais. Um instrumento muito fácil de instalar e usar. As instruções detalhadas vêm na embalagem do objeto.
Em resumo, basta fincar uma estaca ou aproveitar um dos mourões das cercas do terreno e nele prender os parafusos onde vai ser pendurado o vaso transparente. E toda vez que chover, deve-se ir até lá, sempre à mesma hora — 9 horas da manhã, por exemplo — para ver a quantidade de água que ele contém, e anotar este número numa planilha.
Feito isto, tire o recipiente, esvazie-o e recoloque-o novamente no mesmo local. Assim, estará pronto para marcar outra vez o volume de chuvas que caírem até à mesma hora do dia seguinte. Para o leigo, ou mesmo para aquele que começa a ter contato com o pluviômetro de leitura direta, este processo pode parecer um pouco complicado.
Isto, porque ele mede a chuva em milímetros e, como o espaço entre um tracinho e outro ficaria muito pequeno se fossem marcados de um em um, convencionou-se mostrar os intervalos com 2,5 milímetros cada. A pessoa que faz a leitura tem que se acostumar a fazer o cálculo o mais aproximado possível da realidade, para não distorcer as informações.
Aliás, para evitar que a captação do recipiente seja influenciada ou alterada por fatores não naturais, ele deve ser colocado em local bem afastado de obstáculos tais como árvores, telhados ou paredes. E a boca do mesmo deve ficar 5 centímetros acima do nível da estaca de fixação. Estas precauções vão permitir que as informações correspondam à realidade.
Tendo o cuidado de fazer as anotações toda vez que chover, no final de cada ano se saberá qual foi a precipitação na propriedade e quais os meses ou períodos de chuvas mais freqüentes ou mais intensas. Os registros permitem observações de vários anos. E assim o proprietário rural poderá programar os seus plantios com mais segurança.
Fazenda Arosolândia acompanha a precipitação em Pedra Azul do Aracê desde 1982
O senhor Álvaro Aroso, proprietário da Fazenda Arosolândia, em Pedra Azul do Aracê, Município de Domingos Martins, por exemplo, vem acompanhando as chuvas em suas terras, com pluviômetro de leitura direta, desde 1982. Foi com base nas planilhas que ele nos mostrou que tivemos a idéia de produzir esta matéria.
Apesar de falhas na medição, que deixou de ser realizada em alguns períodos, extraímos informações a partir dos dados que, além de anotados em papel, agora, estão armazenados também em planilhas Excel. As planilhas, em breve, vão estar disponíveis para consulta no site do Aroso Paço Hotel, que fica na fazenda.
Nestas mais de duas décadas de acompanhamento, considerando até 2004, e excluindo diversos momentos em que não foram feitas anotações, apenas para efeito de curiosidade, o interessado pode levantar, com facilidade, os dias em que mais choveu e meses de maior e de menor precipitação a cada ano, além do total e da média em cada um deles, por exemplo.
|
|
|

O autor, além de publicitário, é presidente da Abrajet, a Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e está se especializando em agregar qualidade para a informação, seja esta expressa em texto ou em dados, prestando serviços nesta área. Ele pode ser alcançado pelo
DDD 27 e telefone 3314-2757 ou celular 8112-6920.